Selic em Queda? Cessar-fogo Derruba Juros e Muda Seus Investimentos

O acordo entre EUA e Irã fez as taxas de juros despencarem. Descubra como essa trégua histórica elimina a chance de Selic a 14,75% e o que muda.

Por Redação, FAM FINANÇAS | PORTAL DE FINANÇAS, CARTÕES E INVESTIMENTOS.

Atualizado há 1 mês(es)
Gráfico financeiro digital em telas de monitor mostrando linhas de tendência em queda, com luzes de escritório refletidas e um mapa múndi estilizado ao fundo.
Queda das taxas de juros DI e Selic - FAM Finanças
Imagem: InfoMoney (Geral)

O mercado financeiro brasileiro viveu uma quarta-feira de intensa euforia e reposicionamento estratégico. Após o anúncio de um cessar-fogo de duas semanas entre os Estados Unidos e o Irã, as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) registraram quedas expressivas, superiores a 40 pontos-base em diversos vencimentos. Esse movimento não apenas aliviou a pressão sobre a curva de juros, mas apagou completamente as apostas de que o Banco Central manteria a Selic em 14,75% na próxima reunião.

O Fator Geopolítico: Trégua e Petróleo em Queda

A reviravolta ocorreu após o presidente dos EUA aceitar um acordo temporário com Teerã, condicionado à liberação do Estreito de Ormuz para o transporte de energia. A notícia foi o gatilho para o petróleo tipo Brent recuar para a casa dos US$ 90 o barril, reduzindo drasticamente os temores de um choque inflacionário global. Com a redução do risco geopolítico, investidores migraram para ativos de maior risco, impulsionando moedas emergentes e títulos de renda fixa.

Esse cenário de otimismo também refletiu em outros mercados, como o de criptoativos, onde observamos o Bitcoin atingir níveis recordes com a trégua. No Brasil, o alívio foi imediato na curva de juros, que passou a precificar até mesmo um corte mais agressivo da taxa básica de juros ainda este mês.

Principais Movimentações na Curva de Juros

Os dados de fechamento do mercado mostram uma retirada massiva de prêmios de risco. Confira os principais destaques:

  • DI para Janeiro de 2028: Fechou em 13,475%, uma queda de 46 pontos-base em relação ao ajuste anterior.
  • DI para Janeiro de 2035: Marcou 13,64%, recuando 29 pontos-base.
  • Probabilidades da Selic: O mercado agora precifica 76% de chance de um corte de 25 pontos-base e 24% de chance de uma redução de 50 pontos-base.
  • Petróleo Brent: Queda firme aproximando-se de US$ 90, aliviando a pressão sobre os preços domésticos.

A Cautela do Banco Central e o Risco de Inflação

Apesar do clima festivo na Faria Lima, o Banco Central mantém o tom de vigilância. Nilton David, diretor de Política Monetária, ressaltou que, embora a Selic atual possua uma "gordura" maior do que há seis meses, as incertezas trazidas pelo conflito ainda não foram totalmente dissipadas. O receio é que choques de preços de curto prazo gerem efeitos de segunda ordem na economia brasileira.

Vale lembrar que o cenário recente era de pessimismo acentuado, com muitos analistas prevendo o pior, como discutido no artigo sobre a estagflação no radar devido aos impactos da guerra. O movimento de hoje corrige parte das perdas acumuladas em meses anteriores, quando os fundos multimercado sofreram com a alta dos juros.

A Visão do Especialista

A queda das taxas de DI hoje é um movimento técnico de alívio, mas não deve ser interpretado como o fim definitivo da volatilidade. O mercado reagiu ao 'melhor cenário possível' no curto prazo: a reabertura do Estreito de Ormuz. No entanto, o investidor deve manter a cautela. O fato de a curva ter apagado a chance de manutenção da Selic em 14,75% mostra que o apetite ao risco voltou, mas a dependência de notícias externas continua sendo o principal driver. Para quem investe em renda fixa pré-fixada, este foi um dia de ganhos marcantes na marcação a mercado, mas a janela de oportunidade pode ser curta caso as negociações de paz não avancem além das duas semanas previstas.

Fonte: InfoMoney (Geral)

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