Armadilha do Cartão Consignado: BC Alerta para Ciclo de Dívidas

Banco Central revela que o desconhecimento sobre o desconto de 5% no cartão consignado está destruindo o orçamento de milhares de brasileiros.

Por Redação, FAM FINANÇAS | PORTAL DE FINANÇAS, CARTÕES E INVESTIMENTOS.

Atualizado há 1 mês(es)
Um close-up de uma mão segurando um cartão de crédito prateado em frente a um computador mostrando um gráfico de barras vermelhas descendentes, luz dramática.
FAM Finanças - Perigos do Cartão Consignado e Banco Central
Imagem: Valor Econômico

O Banco Central (BC) acendeu um sinal de alerta máximo para os consumidores brasileiros. De acordo com o mais recente Relatório de Cidadania Financeira, publicado nesta segunda-feira (13/04/2026), a falta de compreensão técnica sobre o funcionamento do cartão de crédito consignado está empurrando milhares de cidadãos para um ciclo de endividamento perigoso e, muitas vezes, irreversível.

A Armadilha dos 5%: Onde o Consumidor se Perde

O grande vilão apontado pelo BC não é apenas a taxa de juros, mas a estrutura de pagamento do produto. Diferente de um empréstimo consignado tradicional, onde as parcelas são fixas e descontadas integralmente, o cartão consignado possui uma mecânica híbrida que confunde o titular. Segundo a legislação vigente desde 2015, apenas 5% da remuneração disponível pode ser destinada à amortização de despesas ou saques do cartão via desconto automático em folha.

O problema reside no fato de que esses 5% raramente cobrem o valor total da fatura. O restante do saldo devedor deve ser pago voluntariamente pelo cliente. Quando o titular não quita a diferença, o saldo remanescente entra no crédito rotativo, acumulando juros sobre juros. Enquanto o FGTS libera crédito consignado mais barato para CLT em moldes mais previsíveis, o cartão consignado pode se tornar uma bola de neve financeira.

Dados Alarmantes do Relatório do Banco Central

O documento do BC traz números que comprovam a fragilidade da saúde financeira de aposentados, pensionistas e servidores públicos. Confira os principais pontos de atenção destacados:

  • Comprometimento de Renda: A média de comprometimento com descontos em folha chegou a 35,1% em 2024, no limite do teto regulamentar.
  • Prazos Extensos: O prazo médio das dívidas para servidores públicos saltou para quase oito anos (96 meses).
  • Recorde de Reclamações: Em 2024, foram registradas mais de 60 mil reclamações contra o produto, sendo o item com maior volume de queixas no BC.
  • Margens Elevadas: Atualmente, a margem para consignados chega a 40% para celetistas e 45% para aposentados, aumentando o risco de insolvência.

O Perigo do 'Mínimo' Automático

Para muitos usuários, a sensação de que a dívida está sendo paga automaticamente gera uma falsa segurança. Especialmente para quem utiliza o Caixa Tem e precisa proteger seus benefícios, entender que o desconto em folha é apenas o pagamento mínimo é vital. O BC enfatiza que essa modalidade foi a que mais gerou insatisfação em 2024, com 10,7 mil reclamações específicas sobre o cartão, evidenciando que a proteção ao consumidor precisa de reformas urgentes.

A Visão do Especialista

O cartão de crédito consignado é, talvez, o produto financeiro mais mal compreendido do mercado brasileiro. Ele é vendido como uma solução de juros baixos, mas sua estrutura de pagamento mínimo obrigatório via folha de pagamento mascara um rotativo implacável. O erro estratégico do consumidor é tratar o cartão consignado como um empréstimo de parcelas fixas. Sem a disciplina de pagar o valor total da fatura mensalmente, o cliente acaba pagando apenas os juros da dívida, sem nunca amortizar o principal. Em 2026, com o alongamento dos prazos para quase uma década, estamos criando uma geração de 'escravos financeiros' do consignado. A transparência bancária falhou, e cabe ao cidadão retomar o controle através da educação financeira rigorosa.

Fonte: Valor Econômico

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